sábado, 16 de abril de 2011

Sem título


Saio por ai na tentativa frustrada de fugir do tédio, nessa caminhada sem destino, meu cérebro me perturba com indagações , incógnitas petulantes que rondam a minha psiquê.
A cada passo dado, lembranças vêm como flash aos meus olhos, com ouvidos atentos a tudo, tento encontrar no ar, alguma trilha sonora que narre os acontecimentos que se foram. Em um barzinho pessoas sentadas, bebendo , jogando sinuca, contanto estórias, sorrisos faceiros, olhares desconfiados, o ritmo é  o forró , que talvez alguns digam que seja sob medida .
E no passo a passo, permaneço em um contínuo estado reflexivo, é mais um daqueles dias que o tédio nos força a pensarmos um pouco em nossas intrigantes vidas. Os paralelepípedos do chão da rua parecem me seguir, o dia já está anoitecendo, é possível ver o despertar exuberante da mãe lua, falando nisso, é dia de lua cheia, mas o céu está ficando nublado.

Consigo vê-la de onde estou, por vezes achei que ela parecia ser meio metida, por nos olhar de forma tão esnobe, ela lá em cima tão preponderante, tão perfeita em sua circunferência, e nós, tão pequenos, limitados  e sem luz.
As imperfeições dos barracos, das casas que ainda estão em acabamento, mas já habitadas, não tiram a importância desse cenário natural , construídos por homens humildes, no entanto parecem vulneráveis , frágeis, é tudo bem simples por aqui . Meninas de aproximadamente 8 , 9 , 10 anos , se divertem fazendo o cabelo, sentadas em uma cadeirinha velha , na rua mesmo. Mais à frente meninos também de idade semelhante, jogando “bafo” em uma lajota deitada, dando risadas e ignorando o mundo ao redor, e todas as dificuldades que achamos que os cercam.

O silencio de uma rua vazia, faz com que meu espírito se pacifique, a sensibilidade da mente se eleve, adoro essa sensação de controle de mim mesmo que esses momentos proporcionam, e ao mesmo tempo ,  uma afirmativa não proveniente de mim , chega até a mente, que talvez eu apenas esteja aqui, mas não pertença a este lugar.
Sinto isso de forma vibrante, algo indicando que eu tenha que ir a outros áres, é estranho tudo isso, que seja mais um dos meus devaneios tolos, mas é algo forte, meus póros reconhecem.

Penso que talvez seja esse o motivo de seguir como “lobo solitário” por todos os lugares que passo, conhecendo pessoas , me relacionando, mas nunca vinculando-me a ninguém, não que isso seja uma opção, mas um mecanismo automático .

Não gosto muito de rótulos, nem acho que isso tenha título, e como o futuro é incerto, o final é totalmente intangível , então simplesmente "Sigo a caminhar..."

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